Joseph Conrad em seu Juventude, publicado pela primeira vez em 1902, e tido como um retorno à sua própria juventude, nele, Conrad celebra os anos em que, convidado pelo mar, explorou o mundo na invasora marinha mercante inglesa, o que se tem no decorrer da narrativa é uma jornada em uma embarcação pouco confiável em situações bastante adversas. Anos depois, quando jovens só podem navegar por asfaltos, entre marés de serras em destino ao mesmo sul, o que importa, mais uma vez, é a jornada e não o ponto de ancoragem. E na “popa” do caminhão a mesma sentença entalhada por Conrad em seu, então, secular livro, fazer ou morrer.
Conrad se debruça por completo sobre o tema do reencontro, ou encontro e busca, em No Coração da Tempestade adaptado magistralmente para os cinemas em Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, mas é em Juventude que temos a ingenuidade e o desejo por aventura mais bem explorado, sendo o segundo, já tratar da escuridão que habita aqueles que já passaram de seus primeiros tempos, e sentem o final se aproximar, lentamente.
Não só um retrato da pós infância, mas talvez, parte da fundação do conceito dessa fase, não nos surpreende que após 100 anos de sua publicação, os jovens se alimentam das mesmas angustias e forças, que os direciona para o movimento, apenas por si só, mas com tendencias de mudança, seja para o indivíduo, ou para o coletivo. Essa exploração vendida e ainda comprada, é sinônimo de identidade e independência.
Evidentemente, sem esperar muito, tudo pode ser aclamado como surpresa, e cada passo da jornada degustada, mesmo que para um observador externo, uma parada forçada, antes do destino, seja sinal de fracasso e derrota, para aquele que estava estático, a sensação é de vida.
Juventude, depois do século XX, onde os caminhos terrestres são cobertos de asfalto, cobertor para as rodas de borracha movidas à combustíveis fósseis, são um convite para os herdeiros do fim do mundo. Recebem os sinais vindo de um Fórum com ambições, atualmente, pouco possíveis. São tempos distintos, mesmo que com poucas diferenças, é possível ver no trabalho a inscrição 2003. O que se sucede posteriormente à ancoragem, não nos importa. Aos três jovens viajantes, a jornada já seria suficiente, ou melhor, a única que pede um registro, pois essa sim teve um início, um meio e um fim, assim como os anos que se convencionalmente chamamos de Juventude. Mas o restante ainda não se sessou, o fórum ecoa, reverberando distantes e quase inaudíveis vozes, mas presentes, não finitas. Semelhante ao eco que ainda reverbera dentro de nossos corpos e a sensação de que cruzamos essas fase, com certo orgulho, sentimento que reservo aos tolos. Pois é preciso, navegar é preciso, e seguimos fazendo, pois estamos vivos.